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No entorno do Toroari

No aniversário de Ivens Cuiabano Scaff, seus pequenos leitores recebem os presentes

 

O Toroari, nos últimos 300 anos mais conhecido como Morro de Santo Antônio, símbolo histórico de Cuiabá, acaba de receber mais registros artísticos e literários com o lançamento de três livros infantis do escritor Ivens Cuiabano Scaff, que deixou muitas obras ainda inéditas. Para comemorar o seu aniversário em 30 de setembro, a Entrelinhas Editora está lançando três dos seus livros infantis – cujo processo de edição foi acompanhado pelo autor.

“O menino chorão e o morro que era vulcão”, ilustrado pelo artista visual Gervane de Paula, conta a história de um menino chorão, com medo do morro que diziam em sua escola ser um vulcão. A história vem acompanhada pela Mula sem cabeça, Boitatá, a piraputanga de ouro, o Minhocão, a Mãe do Morro… para contar às crianças a origem do Morro do Gavião (significado Boe-Bororo de Toroari, ou Morro de Santo Antônio) e do Morro do Jacaré…

 

“Assim também já é demais”, ilustrado pelo artista visual Zeilton Mattos, conta a história do pescador Ditinho, que saiu para pescar piquiras e lambaris no rio Cuiabá, aos pés do Toroari, mas para sua surpresa…

 

 

“Ágatha, a gata”, livro ilustrado pelo artista visual Wender Carlos, é um conto-poema para uma negra gata carioca, a Panthera. Não se sabe se ela era do jovem Victor ou do poeta Ivens. Ou se, na verdade ela é quem tinha escolhido ser “a dona” de ambos. O fato é que ela voou da enseada de Botafogo, região beira-mar com vista para o Pão de Açúcar, e pousou no Centro Geodésico da América do Sul, onde o Toroari a tudo vê. Beatriz, mãe de Victor, sobrinha de Ivens, que acompanhou toda a história de muito perto, contou: “Tudo começou em um bar, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Um gatinho muito pequenino fugiu de um gato já adulto e se escondeu entre as pernas de Victor, que o protegeu dos ataques… Parece que foi amor à primeira vista.”

 

 

SOBRE OS AUTORES

Ivens Cuiabano Scaff (1951-2024) nasceu no bairro do Porto, em Cuiabá, quando o movimento em razão do transporte fluvial, o comércio e a vida social eram intensos. Não se sabe ao certo quando, ou com quem, Ivens se aventurou pela primeira vez até o topo do Toroari, ou Morro de Santo Antônio, cenário de “O menino chorão e o morro que era vulcão”… mas deve ter ido averiguar se o que falavam nos seus tempos de criança, era verdade ou mentira.

“O Porto tinha uma aura mágica, naquele tempo”, comenta a sobrinha do autor, Taís. “Quando escurecia, os entes que habitavam o jardim interno da casa se materializavam… E as manhãs eram mágicas.”

Yvonne, sua irmã mais velha, conta que o nosso autor era o caçula dos irmãos e sempre foi uma criança extraordinária, diferente das demais. Aos seis ou sete anos ele já tinha lido sobre Darwin e a teoria da Evolução das Espécies!

Nelson, seu sobrinho, recorda-se de quando Ivens era jovem: chegava da rua, na casa do Porto, “cantando, assoviando e pulando, batendo as pernas igual a uma criança! Sempre alegre e feliz! Isso me chamava muito a atenção… Tio Ivens sempre tinha ânimo para escalar morros, passear nas cachoeiras, tomar banho nos rios e riachos – em Cuiabá, Chapada e Pantanal. Era um apaixonado pela natureza, e sempre falava de Oxóssi, orixá protetor das florestas. Como ele tinha uma vida bem corrida, e era muito demandado pelos seus pacientes, não sei a que horas escrevia poesias, contos e histórias para jovens e crianças…

 

A editora Maria Teresa Carrión Carracedo nos conta:

Gervane de Paula (Cuiabá, 1961) – é cuiabano, nascido no bairro do Araés, território indígena em tempos imemoriais, hoje na região central de uma Cuiabá em permanente transformação. Naquele tempo, seu espaço de infância parecia uma floresta densa e mágica, recortada por córregos cristalinos, sempre convidando a aventuras. Hoje, vivendo no mesmo bairro em que nasceu, percebe tudo muito diferente.

A cidade engoliu a floresta, fez desaparecer as águas transparentes e deu origem aos desafios perturbadores das mutações urbanas!… Gervane se lembra, como se fosse hoje, do poço em que os moradores pegavam água, preciosidade que só chegou “encanada” por aquelas bandas após a década de 1970…

As brincadeiras de sua infância saltaram da memória em colorido intenso para as suas primeiras obras de arte: fazer e soltar pandorgas coloridas, brincar de esconde-esconde, de finca-finca na época das chuvas no solo barrento, de bolitas, e de subir nas árvores frutíferas, como as frondosas mangueiras, cajueiros… Foi desse universo que o menino saltava para suas primeiras incursões ao imponente Morro de Santo Antônio, quando ia visitar um tio, que morava aos pés da monumental elevação.

“A nossa vida era muito ligada à natureza”, lembra-se Gervane, que lamenta as infâncias roubadas nos dias de hoje. Os cenários na porta de sua casa, a paisagem vista da janela com o córrego em frente, são memórias felizes que não podem ser apagadas. Talvez por isso, hoje, em contraposição a essa beleza, o menino denuncie os mal-feitos dos adultos equivocados, perdidos e infelizes, em suas obras de arte. Foi assim que o encontro entre Ivens e Gervane se deu, com uma explosão de cores e de lembranças encantadas que saíram da “Boca de Arte”, seu ateliê, para os prestigiados espaços expositivos da arte brasileira.

 

Wender Carlos (Cuiabá, 1977) –, artista plástico e professor de História, começou a pintar aos 11 anos, no Ateliê Livre da Universidade Federal de Mato Grosso, em oficina ministrada por Nilson Pimenta. É um dos “Meninos do Pedregal”, uma referência ao bairro periférico de Cuiabá, de onde surgiram muitos artistas que frequentavam esse ateliê.

“Em meio a tantos filmes da infância, relembro como se fosse hoje, as brincadeiras com os amiguinhos e colegas do bairro Pedregal, na roda da ciranda, ao pular corda, o esconde-esconde, os improvisos dos brinquedos com latas e madeiras… Ali nasceu o meu amor pelos animais, na casa da vovó Branca, onde se cuidava muito bem dos gatos rajados, frajolas (preto e branco) e caramelos. O tempo vai passando e as lembranças me ajudam a desenhar e pintar a exuberante composição de cores dos gatos.

A ilustração para este livro apresenta uma casa modesta, onde o tempo corre devagar e o essencial é suficiente. Nela, vivem um homem e sua gata! Não há pressa, não há excessos. Apenas o som do vento nas árvores sob um céu estrelado. A gata, com sua natureza livre e tranquila, parece entender a alma de quem escolheu a simplicidade. Ela não exige muito – um canto ao sol, um carinho discreto e liberdade – sua essência. Entre eles não há palavras desnecessárias. Há um tipo de afinidade silenciosa, como se ambos soubessem que a verdadeira paz está justamente nisso: em viver de forma leve, sem ruído, na companhia de quem respeita o próprio tempo.

 

Zeilton Mattos (Porto Seguro, ano) – começou a desenhar ainda bem pequeno e nunca mais parou. Artista plástico, escultor, desenhista, cenógrafo… inventor de paisagens surreais. Cuiabá, São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa e Paris já conheceram suas obras e se contagiaram com a alegria que transborda das suas pinceladas e do intenso colorido dos seus quadros.

Encantou-se de pronto quando conheceu o texto “Assim também já é demais!”, já que nasceu perto do Monte Pascoal, em Porto Seguro, na Bahia e ainda criança veio morar aos pés do Toroari, o Morro de Santo Antônio ou Morro do Gavião, em Cuiabá, Mato Grosso. O mesmo morro perto do qual Ditinho, o personagem central da história, mora. Seus olhos brilham ao dizer que essa história poderia ser a sua própria! E esse lugar ele conhece muito bem.

 

SERVIÇO

Lançamento dos livros infantis de Ivens Cuiabano Scaff:
“O menino chorão e o morro que era vulcão”, ilustrado por Gervane de Paula

“Ágatha, a gata”, ilustrado por Wender Carlos, e

“Assim também já é demais”, ilustrado por Zeilton Mattos

Espaço do Saber (Biblioteca do Sesc Arsenal), bairro do Porto, em Cuiabá.

No lançamento, cada livro poderá ser adquirido por R$ 50.

 

 

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