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Um romance na Guerra do Paraguai

 

Comparado ao “E o vento levou” sobre o pós guerra da Sesseção americana, “Cunhataí” tem como cenário Mato Grosso na Guerra do Paraguai: um triangulo amoroso permeado por dramas, fome, lutas…

 

 

A Casa de Bembem, no Centro Histórico de Cuiabá, onde funciona o Instituto Ciranda, receberá na noite desta terça feira, pela Entrelinhas Editora, o lançamento do livro “Cunhataí: um romance da Guerra do Paraguai”, da romancista cuiabana Maria Filomena Bouissou Lepecki, em edição revisada e com novo design. Sua avó, Ayr Novis de Vasconcellos brincava nesse casarão da família, nos anos 1920. No dia 10 de setembro o livro será lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, no stand nº 20 do Instituto Cultura em Movimento, Rua Q, Pavilhão Verde.

A edição impressa será lançada simultaneamente ao ePub, para os leitores que preferem uma experiência digital.

Como parte das pesquisas para escrever o romance de cunho histórico, em 1999, a autora integrou uma expedição militar que refez, a pé, 224 quilômetros percorridos pelas tropas brasileiras, desde a fazenda da Laguna, no Paraguai, até Nioaque, MS – a Retirada da Laguna, colhendo os frutos desta emocionante história. “Senti a imensidão dos espaços, escutei os passos, a dificuldade do terreno.”

O primeiro autógrafo da autora, ao lançar a edição premiada do seu livro Cunhataí, em 2002, foi para José Mindlin, o maior bibliófilo brasileiro….

Augusto Novis, tataravô da autora, ascendente de todos os Novis, era médico e lutou na Guerra do Paraguai, na retomada de Corumbá. Juntamente com o Dr. Joaquim Murtinho ele ajudou a produzir a vacina contra a varíola, enfermidade que causou grande mortandade em Cuiabá em 1867. Maria Filomena é descendente dos acadêmicos Amarílio Novis, José Jaime de Vasconcellos e João Novis Gomes Monteiro. Sua mãe, Tereza Luíza V. Bouissou, trabalhou com Maria Lygia de Borges Garcia para a fundação das Casas do Artesão em Mato Grosso e participou na concepção e organização das pesquisas para o “Inventário de cultura popular mato-grossense”, em 1978 – possivelmente o primeiro do gênero realizado sobre a cultura popular nesta região.

 

 

A narrativa

 

Um espião sedutor, um bravo capitão e uma sinhazinha aventureira.

Pode uma história de amor alterar os rumos de uma guerra?

Numa narrativa ágil, onde o passado interage com o presente e a ficção penetra nas brechas da História, o leitor é transportado ao Brasil imperial invadido pelos paraguaios e à expedição militar que irá libertar Mato Grosso.

Dos bailes de Campinas ao sertão bruto, p’ra lá das solidões, havia uma distância imensa, uma estrada repleta de buracos e curvas, que Micaela jamais poderia imaginar.

Ao retratar o amadurecimento da personagem sob os ecos da guerra mais sangrenta das Américas, o livro beira o universal, já que cunhataís são todas as mulheres, ou foram, ou serão, antes de terem muitos de seus sonhos desfeitos.

 

 

Sobre a autora

Maria Filomena Bouissou Lepecki nasceu em Cuiabá (MT), em março de 1961. Médica oftalmologista, trabalhou 15 anos na área de saúde, até que, por motivos familiares, passou a viver em países da Ásia e da África, onde fez trabalhos voluntários, para depois decidir-se por sua paixão: a Literatura.

Seu primeiro livro Cunhataí: Um romance da Guerra do Paraguai (ed. Talento), recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Literatura 2002; Prêmio Orígenes Lessa (O melhor para o jovem) pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e Prêmio Escritora Revelação 2003 (FNLIJ). É autora também do romance Uma ponte para Istambul (2021), best seller na Amazon, em janeiro de 2022, em duas categorias, e publicado na França pela Publishroom em dezembro de 2022. Publicou a coletânea de artigos Literatura em Lugares Exóticos, na Amazon (2023) e participou da coletânea Contos de Inverno (ed. Lura), lançado na Bienal de São Paulo de 2022.

 

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Depoimentos sobre o romance

 

“Cunhataí atualiza as características da novela fundacional na voz de uma narradora feminina. Um romanção, no melhor sentido da palavra.” Beatriz Resende – crítica literária, ensaísta, pós-doutora e professora titular da UFRJ

“Uma grande personagem feminina e a Guerra do Paraguai como cenário. Dois itens que a literatura nacional recente estava devendo.” Daniel Piza (1970-2011) – jornalista, escritor e crítico de artes plásticas

“Fundado na História, o romance explora as relações humanas em narrativa consistente e bem realizada.” Tânia Franco Carvalhal (1946-2006) – doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, fez pós-doutorado na Université de Paris (Paris-Sorbonne)

 

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Prefácio de Cunhataí

 

Maria de Lourdes Viana Lyra

Historiadora, sócia titular do
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB)

 

Em julho de 1999, a autora deste livro me convidou para participar com ela da expedição, a pé, que estava sendo organizada pelo comando da Região Militar do Estado de Mato Grosso do Sul, com o propósito de refazer o itinerário da chamada Retirada da Laguna – um dramático episódio da Guerra do Paraguai. Esse recuo dos soldados brasileiros, sempre ameaçados pelos combatentes paraguaios, foi assimilado à historiografia com o mesmo título do livro escrito por um dos participantes da marcha, o Visconde de Taunay. Na época do convite, eu exercia atividade docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como professora doutora de História do Brasil, e, através de relações familiares, nós nos conhecíamos. Eu percebia o interesse da jovem mato-grossense pelo estudo da história, em especial com relação à Guerra do Paraguai, pela sua ligação com o tema: seu tetravô havia participado da guerra como médico. Essa descoberta a inspirou a escrever um romance calcado no fato histórico, com uma protagonista que utiliza ervas medicinais encontradas pelo caminho para curar os tantos doentes da guerra.

Maria Filomena Bouissou Lepecki havia recorrido a mim confiante de que a professora mais velha lhe asseguraria o apoio da família à realização da sua aventura. Mas, no início, por variadas razões, recusei o convite. Depois, ao perceber o quanto para ela importava conhecer o local dos acontecimentos nos quais seriam desenvolvidas as ações das personagens a serem criados, isso aliado ao fato de considerar ser a Guerra do Paraguai um tema ainda carente de maior amplitude do conhecimento histórico, além dos apelos insistentes para que eu fosse junto, resolvi aceitar.

Devidamente equipadas, enfrentamos uma viagem de avião, de ônibus e um trecho a pé, arrastando as malas até a fronteira entre as duas cidades de Bela Vista: a brasileira e a paraguaia. Entretanto, no terceiro dia, após respirar uma nuvem de poeira no caminho da Fazenda da Laguna, que na época da guerra era propriedade de Solano López, fui acometida por uma bronquite, que evoluiu para uma pneumonia. Quando me vi obrigada a abandonar a marcha por motivos de saúde, Maria Filomena se prontificou a retornar comigo, mas não o permiti. O entusiasmo dela com a experiência e o conhecimento do local era flagrante e não cabia a mim, como cultivadora do conhecimento da história e amante da literatura, impedir o despertar da criação literária da jovem iniciante.

Sua vaga ideia inicial de escrever sobre o tema enfocado evoluiu para a execução de um trabalho de pesquisa minuciosa, por meio de depoimentos diversos, até alcançar a escritura deste romance, que tem como pano de fundo a própria Retirada da Laguna: um livro que vem se tornando referência para quem se interessa pelo estudo da Guerra do Paraguai e/ou pela literatura sobre o tema da guerra; uma narrativa que transporta o leitor aos locais, datas e personalidades históricas com precisão, por seguir com rigor os dados colhidos na pesquisa documental; uma bela história de amor que se desenrola no meio da guerra internacional mais sangrenta das Américas, que durou cinco anos e envolveu três países do Cone Sul, Brasil, Argentina e Uruguai, contra o Paraguai. Maria Filomena, após caminhar pelos mesmos campos, capões de mata, cruzar os mesmos rios e riachos que o grupo desfalcado de brasileiros famintos cruzou na guerra, descreve com precisão a geografia da região e traça os caminhos nela percorridos. Através dos contatos com especialistas militares que acompanharam a expedição, consegue conhecimento bélico sobre calibres, armas, manobras e canhões da época. E, por ter formação em medicina, a autora pode retratar com propriedade todas as doenças de então, como o beribéri, a cólera e a desnutrição, que na verdade foram as causas do maior número de mortes.

Por fim, realço aqui a capacidade de imaginação da autora de criar personagens tão sedutores quanto a sinhazinha Micaela, o espião Ângelo e o determinado capitão Santa Cruz, que teimam em permanecer na cabeça do leitor mesmo terminada a leitura. Cabe destacar que esta segunda edição ocorre após ter o livro merecido ganhar três prêmios relevantes: Fundação Conrado Wessel de Literatura 2002, Escritor Revelação e Prêmio Orígenes Lessa, para jovens, de 2003, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Além disso, Cunhataí foi objeto de análise em três teses acadêmicas de mestrado em Letras e três artigos acadêmicos, o que comprova a necessidade desta nova edição, à qual desejo sucesso!

 

 

Serviço

 

O que: Lançamento do livro “Cunhataí: um romance da Guerra do Paraguai”, no formato impresso (16 x 23 cm) e em ePub, pela Entrelinhas Editora

Quando: 5 de setembro de 2023

Onde: Casa de Bembem, Instituto Ciranda

Valor do investimento: valor de capa R$ 128,90 – mas no lançamento o livro será vendido no valor especial deR$ 80,00

 

    Fonte: Assessoria

 

 

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